Trudno byt bogom – É difícil ser um Deus [2013]

Caminhamos para o final da maratona sci-fi 2018 com um filme… medieval?

Esta produção russa ficou relativamente conhecida pela longa duração da sua produção, 6 anos de filmagem, com outros 6 de edição e pós produção. O resultado são quase 3 horas que relatam a história dum mundo alienígena, idêntico à terra, mas que nunca chegou a dar o salto para o renascimento, ficando preso na idade média e regredindo para um estado de completa selvajaria e desumanização.

Direi já de antemão que não gostei do filme, por problemas que falarei lá mais à frente, mas uma coisa é inegável, É difícil ser um Deus é um portento em termos técnicos, a realização, representação, o trabalho dos actores, especialmente dos figurantes na forma como preenchem os inúmeros tracking shots é de louvar, a fotografia a preto e branco é lindíssima e de forma geral, é muito bem filmado, mas é um filme muito difícil, difícil de ver e de aguentar.

Este é mundo bárbaro e selvagem, um exagero quase caricatural da ideia que temos da vida medieval porque neste planeta todo e qualquer sinal de intelectualismo, ciência ou arte foi extinguido e é permanentemente perseguido, levando a uma sociedade falhada onde nada funciona. E o resultado é uma completa depressão onde todas as personagens são dementes, porcas, sujas, burras e sem a mínima humanização. O filme passa toda a sua duração a tentar chocar o espectador com visuais grotescos à base de lama, fezes, urina, sujidade, vomitado e outros demais. É enjoativo e repugnante, mas tão barato e gratuito que acaba por perder o impacto e torna-se apenas cansativo e um detrimento para o filme. Talvez seja uma necessidade para mostrar o quão baixo aquela sociedade desceu, mas torna-se simplesmente cansativo. Também o trabalho de camera constantemente focada em close ups torna a experiência claustrofóbica e enjoativa.

Mas tudo isso acaba por ser uma decisão artística e estilística válida, não gostei, mas foi algo pessoal. O que mais me fez desligar do filme acabou por ser mesmo a sua história e narrativa. É quase sempre mau sinal quando consegues descrever a história de um filme de 3 horas numa frase e é o que se passa aqui. Quase nada acontece de relevante e tudo acaba por ser mais uma colecção de vinhetas sobre aquele repugnante mundo do que uma história realmente interessante e cativante.

Resumindo e concluindo, É difícil ser um Deus é bem filmado e até arrojado, mas igualmente inacessível, enjoativo e desinteressante.

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