La casa dalle finestre che ridono – A casa com janelas sorridentes [1976]

Do neo-gótico dos anos 60 saltamos para outro sub-género que originou na Europa dos anos 60 mas que teve a sua época dourada na de 70. Falo do giallo, cinema Italiano de suspense e terror caracterizado por muito mistério, twists, mortes complexas e extremamente teatrais e um sentido estético e visual muito aprimorado.

Alguns dos meus filmes de terror favoritos são giallos e Profondo Rosso figura certamente no meu panteão de filmes favoritos de sempre. Já por cá falei de uma série de filmes dos habituais mestres do género, Dario Argento, Mario Bava ou Lucio Fulci, mas o filme que escolhi para a maratona não é de nenhum deles e, honestamente, nunca tinha ouvido falar, desconfio que pouca gente o conheça. Ouvi falar do La casa dalle finestre che ridono num video recente do canal Cinefix (na minha opinião um dos melhores canais do Youtube) onde referiam este filme como um dos melhores exemplos do giallo, o que me fez despertar o interesse.

É de facto um excelente filme e um bom giallo, mas devo dizer que não é dos melhores exemplos dum típico filme que normalmente associamos quando pensamos no género, não é um filme especialmente atento a toda a parte estética e visual, até pelo contrário, é bastante cru e realista, e não assenta o seu terror em mortes ultra elaboradas, aliás quase nem mostra mortes em cena. O que La casa dalle finestre che ridono faz bem como filme de giallo que é, é na sua fantástica atmosfera e ambiente carregadinho de um sentimento temor que está constantemente presente no ar, mas que quase nunca se revela, aquele pavor que fica no ar e no ambiente e que se torna quase insuportável.

O filme é bem mais lento e pausado do que os típicos filmes do género, mas a revelação final vale bem a pena. Os momentos de tensão cheio de sons fora do nosso campo de visão e sombras que desaparecem estão muito bem montadas e de certa forma são uma representação de todos o filme, não é in your face e esconde quase todas as suas ameaças, mas o que fica na atmosfera é o que realmente mete medo.

Os protagonistas são… ok, estes filmes giallo raramente nos dão bons actores, aqui parecem-me todos italianos e embora haja um voice over gravado em pós produção, nunca encontrei aquela dessincronização típica de voice overs italianos em cima de actores não italianos. Em termos técnicos acho que o pior é mesmo a edição, há demasiados saltos temporais mal cortados e que parecem fora de lugar, pode ser uma forma de aumentar aquele ambiente quase de pesadelo, mas duvido que tenha sido essa a sua intenção.

O Melhor: O ambiente e atmosfera carregadinha dum horror que não se vê mas se sente no ar e que se vai tornando insuportável. Todo o mistério em volta duma pequena vila que sentimos que ficamos a conhecer não só em termos narrativos, mas também como espaço físico.

O Pior: É bastante lento para o pessoal com défice de atenção, portanto gente mais jovem não vai gostar. Problemas de edição com cenas cortadas e montadas aparentemente fora do lugar.

A melhor cena: Várias, mas a melhor é mesmo quando o protagonista descobre o segredo e vê os três irmãos, um deles… morto!

Veredicto: Se tiverem algum interesse em filmes de terror com muita atmosfera e uma boa história tentem ver que vale muito a pena. Pode não ser tão explosivo e intenso como os seus primos do Argento ou Fulci, mas tem outras armas e usa-as magistralmente. Recomendadíssimo.

Podem-no ver completo no youtube! Mas recomendo arranjarem uma cópia com melhor qualidade como eu fiz, mas não foi fácil:

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