Cat People – A Felina [1982]

O Cat People de 1942 é um dos meus filmes de terror favoritos dessa década, e curiosamente não conhecia o remake de 1982 para além da espectacular canção do David Bowie. Pelo que li é apenas uma leve adaptação, mas de qualquer das formas tinha grande curiosidade para ver como as mentalidades dos anos 80 (ou seja muito menos pudicas) traduziriam a ideia original que, se bem se lembram se leram o meu texto, envolvia muita sexualidade reprimida.

De facto esta é uma versão muito menos inocente, usando e abusando do corpo nu da Natassja Kinski e é sem duvida, apenas uma leve adaptação do filme de 1942, aliás como teria obrigatoriamente de ser, não faria sentido transpor “à letra” um filme com mentalidade da década de 40, quatro décadas depois. No entanto, a ideia central é a mesma e Paul Schrader chega mesmo a homenagear o original com a famosíssima cena do eléctrico e a tensa cena da piscina.

A maior diferença narrativa entre as duas versões encontra-se essencialmente no que mostra ao espectador, e não falo de toda a parte erótica, mas sim na duvida se a protagonista é ou não uma… shapeshifter e de todo o background do seu povo humano/felino. No original era visto como uma lenda e só no final foi revelado que Irena era realmente a pantera, e mesmo assim deixa uma duvida no ar. Aqui o filme abre com a história do tal povo e é estabelecido desde logo que as personagens da Natassja Kinski e do Malcom Macdowell (ambos a um excelente nível) são de facto shapeshifters. Por um lado prefiro a ambiguidade do original, no entanto compreendo que aqui Paul Schrader (ou então não, ele curiosamente não é o argumentista do filme o que é estranho, sendo ele um dos mais conceituados) tenha preferido adoptar uma diferente perspectiva.

O filme em si é bastante sólido, normalmente é metido dentro do saco dos “filmes eróticos dos anos 80” que estavam tanto na moda, mas hoje em dia é baste leve. O ambiente de Nova Orleães (curiosamente o segundo filme consecutivo da maratona a figurar a cidade francófona como background) encaixa que nem uma luva no tom primitivo e selvagem da história, que tal como o original assenta na dualidade entre a repressão sexual e o despertar dos instintos humanos primitivos, aqui, claro, mais focados na parte sexual.

O Melhor: Natassja Kinski e Malcom Macdowell emprestam classe a um filme que, com menos cuidado, poderia cair num campo de série b. A reinterpretação do clássico visto pelos olhos dos anos 80. Banda sonora.

O Pior: É apenas pessoal, mas prefiro a ambiguidade do original do que a expliciticidade desta versão.

A melhor cena: A cena da piscina é uma bonita homenagem ao original, mas tem de ser a cena de transformação! Pode estar a milhas da transformação do An American Werewolf in London saido um ano antes, mas tem boa atmosfera.

Veredicto: Bem melhor do que estava à espera, mas continuo a preferir o original que estava muito à frente do seu tempo.

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