The Hunger – Fome de Viver [1983]

Continuamos na década de 80 e continuamos também com mais um daqueles thrillers de terror erótico tão em voga nessa década.

The Hunger vem no seguimento dum sub-género da literatura de terror de temática “vampirica” que se afasta do puro terror dum Dracula e tenta humanizar e até sensualizar a imagem do vampiro, um pouco na onda do Interview with a Vampire. The Hunger tem alguns paralelismos com os livros de Anne Rice mas afasta-se por completo do imaginário gótico e abraça o pós-modernismo vanguardista dos anos 80.

E com efeito, The Hunger é um filme carregadinho de muita classe e estilo. A excelente fotografia e os elaboradissimos sets ajudam a trazer a visão do Tony Scott (o seu primeiro filme, num registo muito diferente do que nos viria a habituar no futuro) a bom porto. Quando penso no movimento artístico vanguardista da década de 80 é nisto que penso.

O excelente elenco encabeçado pela belíssima Catherine Deneuve ajuda a trazer essa classe e estilo ao filme, e a sua personagem, Miriam, uma vampira imortal que alicia potenciais amantes com a falsa promessa da vida eterna, é a meu ver uma das mais interessantes e cativantes vilãs vampiras que já vi. As suas motivações não são particularmente cruéis e não se pode dizer que ela seja ou se comporte de forma exclusivamente cruel, mas as consequenciais dos seus actos são tremendamente perturbadores, especialmente quando vemos pela primeira vez a colecção de caixões com antigos amantes que agonizam para toda a eternidade porque ela lhes deu vida eterna, mas não juventude eterna, portanto ficaram lá a decompor-se… para sempre. Uma ideia muito creepy.

O ponto mais fraco do filme acabou por ser mesmo o “final feliz” extremamente forçado. Fiquei assim meio aziado com a cena final e, surpreendentemente, quando fui investigar sobre o filme descobri que essa cena e final foi imposto pelo estúdio. Que pena!

O Melhor: A fotografia e os sets espectacularmente elaborados. O elenco com Susan Sarandon, David Bowie e Catherine Deneuve que tem aqui uma das mais interessantes e carismáticas vilãs do cinema de vampiros.

O Pior: O “final feliz” é demasiado forçado, indo contra o que o que filme vinha construindo.

A melhor cena: Alguns dirão aquela cena entre a Deneuve e a Sarandon, mas para mim foi quando os antigos amantes da vampira Miriam, saem dos caixões e a atacam.

Veredicto: Até pode ser mais estilo do que história, mas como um todo a coisa funciona bastante bem. Gostei mais do que estava à espera.

Podem-no ver AQUI se não quiserem ter o trabalhinho de procurar uma boa cópia.

 

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