Candyman – O Assassino em série [1992]

A década de 90 é de longe a menos prolífica em cinema de terror de qualidade, depois da explosão da década anterior onde os slashers eram reis e de certa forma dessensibilizaram o publico, ninguém sabia bem o que fazer e o género caiu numa espiral decrescente de imaginação e qualidade, envergando demasiadas vezes no campo da parodia. Não é de estranhar que o grande sucesso da década tenha sido o Scream.

Há, no entanto excepções, filmes que criaram a sua própria mitologia e inteligentes o suficiente para contar uma história com mensagens e comentários que vão além da sua superfície. Candyman é um desses bons filmes.

Curiosamente Candyman inicia literalmente com uma daquelas referencias auto-paródicas do género, quando vemos a cliché babysitter com o seu namorado a serem violentamente assassinados. No entanto, este é um filme mais inteligente do que se quer fazer parecer, Candyman é essencialmente uma lenda urbana, e como qualquer uma que se preze é construída com clichés, falsa informação, passa a palavra e referencias. É uma perfeita introdução para o que Candyman é como filme.

Uma adaptação do Clive Barker, o filme troca Liverpool pelos bairros pobres de Chicago que encaixam na perfeição na mensagem de segregação racial que acaba por alimentar a própria lenda urbana através do medo, lenda essa nascida dum horrível linchamento causado por questões raciais. O filme nunca mergulha por completo em questões sociais e raciais e prefere quase sempre usar esse comentário apenas como cenário, mas está lá.

O filme em si é bastante arrojado na forma como coloca a sua protagonista em situações fora do seu controle e do que o espectador está à espera e transforma o Candyman num vilão apelativo e relativamente cativante, mesmo com as suas violentas matanças. Não sei se gostei da escolha para o final, mas acho que pelo menos é corajosa.

O Melhor: A atmosfera. A protagonista que é inteligente e o Candyman que é muito bem construído e cativante. A musica.

O Pior: Toda a história da reencarnação pareceu-me uma forma um pouco forçada de ligar os protagonistas.

A melhor cena: Não tenho nenhuma que se destaque, mas gostei bastante de todo o cenário e atmosfera do bairro degradado que só por si transmite muito desconforto, e a primeira revelação do Candyman.

Veredicto: Tinha fama de bom filme e não me desiludiu. Tem mais camadas do que a superfície aparenta, consegue mostrar os clichés que os fãs do género querem, mas é inteligente o suficiente para não se ficar por aí.

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