Ich Seh Ich Seh [2014]

Tropecei em Ich Seh Ich Seh, mais conhecido por Goodnight Mommy internacionalmente (aparentemente não estreou comercialmente por cá), aí num qualquer video de recomendações no youtube., gostei do look mas não fazia grande ideia da sua premissa. Mas, para ser sincero, rapidamente se fez luz na minha cabeça e a partir de certo ponto quase todos os segredos e twists ficaram bastante claros e óbvios, não porque me lembrei de alguma vez ter lido sobre o filme, mas bastou aperceber-me de que tipo de filme é, basicamente uma variação do Funny Games do Haneke para tudo se tornar bastante previsível. Sabia que ia haver uma cena em que a protagonista quase é salva por estranhos que entram em sua casa, sabia que ia haver cenas de torture porn, sabia que ia haver uma cena em que a protagonista quase consegue sair de casa e à ultima hora é apanhada e… sabia o desfecho.

E a minha opinião sobre Ich Seh Ich Seh acabou por ficar um pouco desvirtuada precisamente porque não sou grande fã deste tipo de filmes niilistas em que se sabe desde logo que ninguém escapa ou vai ter um final feliz. São filmes necessários, mas ao mesmo tempo tão previsíveis, que sinto que estou a ver sofrimento por mero entretainment e não me sinto muito confortável.

De resto, em termos técnicos este é um óptimo filme, muito bem realizado e com uma belíssima fotografia que bebe muita inspiração de autores como Malick ou Tarkovski. Nesse aspecto Ich Seh Ich Seh até é um dos melhores filmes desta maratona. Uma palavra de apreço para o look da mãe que durante a primeira metade do filme tem a cara ligada e todo o seu visual e comportamento despertaram sentimentos de apreensão em mim. A sua personagem acaba por ser especialmente trágica porque os primeiros actos usam a percepção distorcida da sua depressão por parte dos seus filhos como uma possível verdade, no entanto, como se vem a descobrir eles são “narradores” não confiáveis.

O melhor: A belíssima e cuidada fotografia e realização. O ritmo lento que ajuda a criar uma atmosfera de desconforto.

O pior: Extremamente previsível, e não consigo gostar de torture porn.

A melhor cena: É um filme com muito boa fotografia e seria fácil escolher muitos dos planos à lá Malick, mas para mim nada bate a primeira revelação da mãe com as ligaduras. São só ligaduras, mas não sei, é creepy e surge logo no inicio, sem explicações.

Veredicto: Para quem gosta deste tipo de filmes completamente niilistas e sem qualquer centelha de esperança num final mais feliz que um puro pesadelo sem fim, se calhar até vão gostar. É um bom filme, mas não é para mim.

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