Mandy [2018]

Há uns meses falei aqui sobre Beyond the Black Rainbow, o filme de estreia de Panos Cosmatos. Achei-o demasiado centrado em aspectos artísticos, de tal forma que até o chamei de videoclip glorificado ou algo do género, basicamente era uma compilação de excelente música e visuais mas sem grande conteúdo a dar consistência a toda a experiência.

Neste seu segundo filme, Mandy, estava com alguns receios de que fosse mais do mesmo, isto porque pelo trailer dava para ver que era novamente tremendamente estilizado. Continua a ser um filme com mais estilo que substância, mas felizmente é também uma obra narrativamente muito mais coesa e interessante e, logo ai, dá toda uma maior densidade e investimento emocional ao filme porque afasta logo aquele sentimento de que estamos a ver uma fria peça artística como em Beyond the Black Rainbow.

Ao contrário desse filme, Mandy entra por completo nos caminhos do terror, misturando com típicos elementos de “filme-vingança” e até laivos de série b num ultimo acto que chega ao ponto de mostrar lutas sangrentas com moto serras. Como sabem gosto de série b e acho que até funciona muito bem aqui, mas nunca consegui afastar a ideia que o filme perde um pouco da mestria atmosférica que parece directamente saída dum pesadelo dos dois primeiros actos que, são magníficos.

Nicolas Cage tem aqui rédea solta para abraçar o seu lado campy e exagerado, mas até lá chegar dá-nos uma actuação muito contida e reservada que muito me surpreendeu pela positiva. Mas o melhor de Mandy é mesmo a sua atmosfera onde paira sempre um enorme desconforto que muitas vezes não se vê mas se sente, e muito. Os seus visuais coloridos e carregados ajudam a trazer esse lado mais surrealista à experiência e, à semelhança de Beyond the Black Rainbow, a música é fantástica.

O melhor: A tenebrosa atmosfera de pesadelo pintada com espectaculares visuais carregados de ácidos, cores e uma banda sonora no ponto.

O Pior: O 3º acto em que Nic Cage parte numa viagem de vingança entra quase em caminhos de série b, o que por si só não tem nada de mal, até pelo contrário, mas é substancialmente de menor qualidade que os brilhantes actos iniciais de construção de ambiente e atmosfera.

Melhor cena: Eish… por onde escolher, há muitas boas cenas. A que mais me ficou na memória nas semanas posteriores, foi quando os demónios são invocados e surgem no topo da colina a olhar para as suas vítimas. Puro terror.

Veredicto: Pode ser mais estilo que conteúdo, mas é um enorme passo em frente em relação ao que Panos Cosmatos nos mostrou em Beyond the Black Rainbow. Daqueles filmes que ame-se ou odeie-se, vai sempre ficar connosco no futuro e causa impacto numa pessoa, e isso é o mais importante. E tem o bónus de ser realmente bom.

E pronto, terminamos assim mais uma martona terror! Esta foi a maior que alguma vez fiz e, acho, a que me deu mais prazer, descobri durante este mês inúmeros bons filmes que certamente ficarão comigo até morrer. E sabem o que é mais incrível? Terminei a tempo, quem diria!

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