Roma [2018]

Os Oscares são hoje, honestamente já não ligo à cerimónio porque é tudo uma valente trapalhada, mas de qualquer das formas não deixa de ser uma montra de possiveis bons filmes, o dificil é acertar.

Roma tem muito bom aspecto e desde logo me puxou o interesse, para além disso parece ser o favorito a vencer, o que é um bónus. E claro é do Alfonso Cuarón que sempre admirei desde os tempos do Y Tu Mamá También e da explosão do triunvirato mexicano do dobrar do milénio. Alás é muito bonito como o Cuarón, o del Toro e o Iñarritu, que na altura eram jovens a dar cartas, são agora dos realizadores mais importantes da actualidade e que têm vindo a dominar os prémios e cerimónias na ultima década.

Depois da extravanganza de Gravity, Cuarón traz-nos uma história muito mais simples em termos de riscos e escala, mas também mais rica em termos pessoais, não só para ele, tendo em conta que esta é uma viagem nostálgica à sua infância, mas também em termos humanos já que a simplicidade da vida da empregada de limpezas Cleo é muito mais impactante do que os perdidos no espaço do seu anterior filme. O resultado é um excelente filme, não só em termos emocionais mas também técnicos. Este é um Cuarón em completo controlo das suas capacidades, juntando o papel de cinematografia à de realização, e o que se vê na tela é um lindissimo filme, completamente seguro das suas virtudes e sem quaisquer restringimentos artisticos ou técnicos.

O melhor: O fascínio do mundano, a beleza da simplicidade e o encanto do quotidiano. A fotografia do Cuarón que, à semelhança do que  Cold War também fez, mostra como ninguem a beleza do preto e branco. A janela histórica para uma época e região que desconhecia e que é interessentissima.

O Pior: Se calhar é injusto, até porque calculo que muito do elenco seja amador ou semi-profissional, mas grande parte dos actores são… pouco naturais, incluindo Yalitza Aparicio que está nomeada. Mas não me interpretem mal, ela esteve muito bem, e merece louvores pelo registo reservado, o que é uma raridade em protagonistas, é só um nitpick.

Melhor cena: Há três cenas que se destacam, e é facil adivinhar. Os planos sequências já habituais no Cuarón, ou seja o massacre estudantil  que acaba por personificar todo o filme na forma como a História é só e apenas uma colecção de milhares de pequena histórias como a de Cleo que se cruzam e misturam. A cena da praia, que é um apoteótico portento técnico do Cuarón e, claro, a cena do parto.

Veredicto: É tão bom ou melhor do que o hype andava a pintar o que por si só é de admirar, mas mais importante, é melhor do que estava à espera e um regresso a um registo mais comedido por parte do Cuarón que vinha do bombástico Gravity.

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