Return of the Obra Dinn [2018]

Papers Please é um dos melhores jogos independentes de sempre e a prova viva de que uma boa ideia é o suficiente para um jogo se tornar cativante sem recursos a combate ou violência (se bem que até havia combate por lá :D). O seu criador, Lucas Pope tinha então uma tarefa inglória de conceber um sucessor digno do mesmo brilhantismo, e a verdade é que meia década depois ele dá-nos algo ainda melhor, este Return of the Obra Dinn.

À semelhança de Papers Please, Return of the Obra Dinn não é fácil de descrever, mas essencialmente a sua premissa centra-se num navio do século XIX que chega à costa sem nenhum dos seus passageiros, uns deles estão mortos, a maioria desaparecidos. O jogador encarna o papel dum investigador encarregado de descobrir o paradeiro e destino de cada um deles. Para isso terá de usar a inteligência, dedução e as pistas deixadas no navio, mas principalmente dum estranho relógio que lhe permite… revisitar o ultimo momento de cada uma das vitimas. Com cada uma das imagens, momentos e sons o jogador tem de cruzar a informação e decifrar o nome e destino de cada um deles. Imaginem uma mistura de Cryostasis, Cluedo e Her Story, tudo isto ao som duma excelente banda sonora e visuais retro 1-bit reminiscentes de plataformas como o Commodore 64.

O resultado final é uma experiência única e original que, sinceramente, nunca vi replicada em nenhum outro jogo.

O melhor: O ambiente, atmosfera e toda a atenção ao detalhe, mas essencialmente a premissa e as mecânicas inovadoras que requerem uma real investigação e dedução, algo tão raro em videojogos modernos.

O Pior: Às vezes algumas algumas respostas requerem mais que dedução e baseiam-se mais em tentativa e erro tal é a forma como estão enterrados no meio de tanta informação visual, mas acaba por ser um efeito secundário da mecânica de jogo, portanto nem sequer é um ponto realmente negativo. 

Melhor momento: Acho que é mesmo no inicio quando, pela primeira vez, visitamos uma memória duma das vitimas. É daqueles momentos em que soltamos um “oh wow!”.

Veredicto: É o jogo que mais perto me fez sentir como um real investigador que tem que mergulhar fundo em todas as pistas visuais, auditivas e literais, cruzar informações e deduzir as respostas correctas. E tudo isto sem grandes ajudas nem grandes “segurar de mãos” por parte do jogo. Extremamente refrescante, uma lufada de ar fresco e um dos jogos e ideias mais memoráveis dos últimos anos.

 

Tempo de Jogo: 8 horas.

Sai do templ… do PixelHunt com:

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