Frankenstein Created Woman – Frankenstein criou uma mulher [1967]

Pensavam que se viam livre do Frankenstein da Hammer? Nope, voltamos para o 4º filme mas ficamos por aqui para já, para o ano há mais. Pois bem, se bem se lembram The Evil of Frankenstein foi uma valente desilusão para mim, contudo, digo já que Frankenstein Created Woman  é um relativo bom regresso, e em quase todos os aspectos superior ao terceiro filme. Continua, no entanto, uns furos abaixo dos dois primeiros filmes, o que é pena porque há aqui muito potencial.

A ideia central de juntar duas personalidades no corpo duma mulher é bastante boa e criativa, ao contrário do tradicionalismo do filme anterior, e volta a ter temas interessantes, aqui centrados na perda de inocência, nos pecados dos pais e heranças comportamentais dos filhos, nas inseguranças psicológicas e na consequente deterioração da autoconfiança. Os bons filmes de terror são-no porque usam esse mesmo terror para desenvolver temas interessantes e Frankenstein Created Woman faz isso.

Contudo, como disse, há aqui muita coisa que não funciona, desde logo na parte da ficção cientifica que sempre acompanha um Frankenstein. Estranhamente a coisas entram aqui por um caminho um pouco mais sobrenatural que não consigo associar muito a Frankenstein, passo a explicar. Se no primeiro filme o barão usou químicos para dar vida a um corpo, no segundo filme uma troca de cérebros e no terceiro o clássico galvanismo eléctrico aqui… bom… como explicar… Frankenstein retira e aprisiona a alma das suas vitimas, sim, numa esfera de energia. A alma.. É demasiado fantasioso para conseguir levar a sério.

E depois temos a curta duração do filme que tem demasiada história para contar em apenas hora e meia. Bem sei que por esta altura 90 minutos era o standard para filmes comerciais deste tipo, mas é muito curto para um argumento que se mostra demasiado ambicioso para tão curto espaço de tempo.

O melhor: O argumento e os temas abordados, desde os conflitos entre a superstição e ciência, até ao lado trágico da história pessoal dos dois protagonistas, inocentes mas levados ao extremo pela injustiça da sociedade. O barão Frankenstein de Peter Cushing atinge aqui um brilhante balanço entre o oportunismo cínico e sarcástico do seu lado mais negro e uma genuína, mesmo que escondida, preocupação por terceiros.

O Pior: O ritmo está completamente de pernas para o ar, nota-se que tiveram de espremer muita história em apenas hora e meia e isso acaba por estragar o ultimo terço em que parece que andam todos a correr com cenas cortadas demasiado cedo e momentos importantes com muita pouca duração.

Melhor cena: A cena da execução do Hans enquanto a Christina olha em desespero é trágica, mas em termos puramente visuais e de ambiência prefiro a morte do segundo rufia, com a Christina mergulhada naquela luz vermelha. E é uma deliciosa dupla vingança do duo Christina/Hans.

Veredicto: É um bom regresso de Frankenstein e de Terrence Fisher, no entanto acaba por ser uma frustrante flawed gem porque está tão perto de ser um clássico mas acaba por morrer na praia, o que é pena.

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