Black Christmas – Férias Assombradas [1974]

 

Parece que vai estrear aí um remake do Black Christmas, portanto decidi ver o original 😀 Quem me conhece sabe que não gosto particularmente de slashers tradicionais, para mim é dos sub-géneros mais desinspirados, clichés e sobrevalorizados, e todos os Pesadelos em Elm Street, Sexta-Feira 13, Halloween e companhia não me atraem. Contudo, também sabem que gosto muito de giallos que bem vistas as coisas são os percursores dos slashers.

E Black Christmas acaba mesmo por ser uma estranha ponte entre os dois sub-géneros porque vai beber muita inspiração nos giallos clássicos (POV do assassino, visuais estilizados e mortes fora do normal) mas introduz-lhe uma camada nova e que veio a influenciar muitos slashers posteriores, especialmente o Halloween que partilha muitas, muitas semelhanças e que passou a ser o template de tudo o resto.

Adiante, devo dizer que adorei! Foi uma tremenda surpresa, especialmente na forma como apenas se inspirando no tradicional mito urbano da “babysitter e do assassino” (que viria igualmente a inspirar o inferior When a Stranger Calls) consegue montar um filme que vai mais além dessa básica premissa e do choque das mortes. É um filme que usa um realismo tão em voga nos anos 70 para dar ênfase às personagens e às suas interacções, sem nunca cair no erro do exploitation ou do choque fácil. Aliás, toda a sua estrutura é bem distinta do que se esperaria num filme deste tipo, desde logo porque aqui vemos onde o assassino está, por onde se desloca e onde guarda as suas vitimas (a primeira vitima está à vista de todos sem que ninguém se aperceba). O que noutros filmes seria o twist aqui é uma nota de rodapé. Ao contrário do que o sub-género se viria a transformar, aqui o importante não é o destino, mas sim a viagem.

O melhor: O ambiente e as sensações de puro terror e angustia niilista que assombra todo o filme torna-o mais assustador que qualquer outro slasher que o procedeu. O relativo realismo, às vezes quase documental, a fazer lembrar The Exorcist ou The Texas Chain Saw Massacre. A Jess é uma excelente “final girl“, inteligente, racional, controlada e emancipada. A realização e especialmente a edição são 5 estrelas cheia de ângulos, cortes e transições muito criativas.

O Pior: Eu sei que tentaram mostrar o lado mais alternativo dos jovens adultos que na altura eram mal representados, mas toda a atitude do “somos bué descontraídos e para frente” soa muito forçada, com muita comédia que nem sempre funciona e parece falsa. Se bem que o desfecho da piada do felatio valeu a pena. 😀

Melhor cena: Muitas! A ambiguidade do final, a morte duma das personagens ao som das crianças a cantar canções de natal ou a tensão de quando tentam rastrear a chamada. Mas o melhor são as chamadas telefónicas. Muito assustadoras!

Veredicto: Vou-vos ser muito sincero, como não gosto de slashers estava com baixas expectativas. Até por isso demorei tanto a vê-lo e escrevo hoje com alguns dias de atraso mas UAU! Gostei muito, muito, muito! A hora e meia passou a correr e senti-me genuinamente empolgado e imerso enquanto o via. Não sei se o remake vai ser bom, mas estou extremamente feliz de ter descoberto o original. ^^

 

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