Black Narcissus – Quando os Sinos Dobram [1947]

 

O melhor: A cinematografia e a forma como a luz e a cor ajudam activamente a contar a história. Os matte paintings são lindos, especialmente aqueles que olham para o abismo! Mesmo que muitas das pinturas sejam pouco realistas, elas emprestam ao filme toda uma aura quase de sonho que acaba por complementar, e bem, o resto do ambiente. As temáticas centrais são fascinantes e podem ser vistas através de diferentes lentes e perspectivas, como uma luta de fé, como uma resistência à mudança, uma vulnerabilidade contra o passado e o papel das memórias ou até mesmo algo meramente literal na forma como as protagonistas são afectadas pelo clima e isolamento. na verdade tudo está interligado e essa é a beleza do filme.

O Pior: É de longe a velhota que toma conta lá do convento. Acho que é suposto ser um comic refief mas pergunto-me… o filme precisa disso? É uma pergunta retórica. De resto, sinto que o filme tem algumas dificuldades em manter um ritmo consistente, e durante alguns momentos arrasta-se, aparentemente sem grande rumo, apenas para subitamente reentrar em curso a todo o gás.

Melhor cena: Tem de ser o clímax claro! Os ultimos 20 minutos são demais. Não me vou alongar muito, até porque é bom ser apanhado de surpresa (bom… agora já não vão) e quem começa a ver o filme não tem qualquer noção da forma como se transforma no final, mas é um momento de mestria na forma como o Powel e Pressburger montam toda a tensão, muito mais reminiscente dum filme de terror (Powell viria a realizar mais tarde o clássico Peeping Tom) ou dum Hitchcock (que nesta altura ainda não tinha aperfeiçoado a sua técnica, se bem que no ano seguinte teríamos o Rope).

Veredicto: Infelizmente é demasiado inconstante para entrar no meu Olimpo de favoritos, mas retirando o que não funciona, temos aqui um filme fantástico muito à frente do seu tempo, quer em termos visuais (parece mais um filme dos anos 60) quer em termos temáticos com a sua mensagem anticolonialista, e com a repressão sexual feminina e religiosa, assuntos que não seriam certamente muito populares no imediato pós-guerra britânico.

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