Frankenstein: or the Modern Prometheus de Mary Shelley

Hoje em dia leio muito menos do que fazia quando era mais novo, o que é pena, mas uma das minhas resoluções para 2020 é ler mais, e o primeiro livro é o maior clássico de terror e ficção cientifica, falo é claro de Frankenstein.

Gosto muito da série de filmes da Universal, dos quais já falei várias vezes por cá, e embora eu tivesse a noção do quão pouco fieis eram ao livro da Mary Shelley, não fazia ideia de que as diferenças e variações eram assim tão gritantes, ao ponto de que quase podiam ser histórias distintas. O primeiro impacto ao ler o livro, não fosse ele um produto do Séc. XIX, é o seu traço e influências românticas, onde todas as emoções são exageradas ao extremo, a tragédia uma inevitabilidade e o mundo natural exaltado. Curiosamente, comparando-o com o outro clássico intemporal de terror, Dracula, que foi lançado no final do período romântico, é engraçado ver que a história de Frankenstein, que se apoia em bases cientificas da galvanização de Luigi Galvani (que usava impulsos eléctricos como estimulo) é apresentada duma forma romântica e apaixonada, enquanto que Dracula, que é uma história inteiramente centrada em elementos religiosos e sobrenaturais, tem uma apresentação muito mais pseudociêntifica e quase documental.

Uma das maiores diferenças não narrativas que notei é que, se no filme de 1932 e na sua sequela, quer o monstro, quer o seu criador sejam fáceis de se gostar e apoiar, aqui no livro nem por isso. Frankenstein é tão lamechas e trágico que comete inúmeros erros fáceis de evitar, tornando-se difícil puxar por ele. O monstro aqui, ao contrário da interpretação de Boris Karloff (e de quase todos os filmes da Hammer), é muito inteligente e mata a sangue frio sem qualquer pudor. Qualquer razão e inocência que tenha é desde logo invalidada pelas suas acções.

Já em termos narrativos as diferenças são inúmeras, de tal forma que é quase mais fácil enumeras as semelhanças, mas é curioso ver que muitos dos pontos são recuperados para as sequelas do filme de 1932. É no entanto errado mencionar apenas os filmes da Universal, havendo tantas outras adaptações cinematográficas. Os filmes da Hammer são ainda mais livres na forma como adaptam é claro, mas a versão de 1994 do Kenneth Branagh, do que me lembro (e lembro-me pouco) é bem mais fiel, por falar nisso é um filme a rever urgentemente.

Concluindo, gostei de ler, mas não posso dizer que tenha sido um livro que me tenha apaixonado, como por exemplo Dracula, que é genuinamente empolgante e superior a qualquer adaptação.

Comments
One Response to “Frankenstein: or the Modern Prometheus de Mary Shelley”
  1. Álvaro diz:

    Eu gostei do livro. Já o Dracula ainda não li mas tenho de o fazer tendo em conta que terminei agora o The Shinning.

    Livros é uma boa adição ao blog.

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