Conta-me como jogavas – Parte 1

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Conta-me como jogavas – Parte 2 >

Como sabem sou quase exclusivamente um jogador PC, e sou-o desde o verão de 1997 quando recebi o meu primeiro PC. No entanto, a verdade é que inicialmente cresci com os jogos da geração dos 8bit, mais precisamente com a Famicom. Por volta de 1993 recebi a vulgarmente conhecida como Family Game, daquelas consolas que traziam 400  jogos embutidos. Claro que apenas uma dúzia deles eram reais, o resto eram repetidos mas com cheats activadas e níveis desbloqueados. Pois bem, nesses 4/5 anos apenas joguei Family Game e foram estes jogos que cimentaram o meu interesse por videojogos, cujas bases se mantém até hoje.

O que proponho fazer com este artigo dividido em quatro partes, é redescobrir e recordar todos os jogos que joguei durante a infância na minha defunta e estimada consola, desde os que vinham “de origem” até aos que conseguia convencer a minha mãe a comprar na feira por 500 escudos. Vou jogar um pouquinho de todos eles através de emulação para ver como passaram o teste do tempo e para uma overdose de nostalgia. Há uma série de emuladores NES, mas se calhar aconselho-vos a jogar directamente no vosso browser, é mais rápido e cómodo. Irei colocar um link para todos eles se quiserem experimentar e/ou recordar. Nesta primeira parte do artigo irei focar-me na primeira metade dos jogos que vinham originalmente com a consola, semanalmente irei avançando para mais jogos.

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Tetris: Tangen [1988]

tetris

Nostalgia overload!

Todos conhecem Tetris, dispensa apresentações. As memórias mais antigas que tenho é do clássico brick game da feira, mas na Family Game foi o primeiro jogo que experimentei, na verdade foi o único que vi antes de abrir a consola no natal quando o meu pai estava a tentar configura-la na TV. Lembro-me que por alguma razão não estava a conseguir e eu estava a chorar e a fazer birra (chapada…). Depois a coisa lá entrou e o primeiro da lista era Tetris, depois foi um martírio até ao natal. Esta versão em particular não era a oficial da Nintendo, mas a desenvolvida pela ATARI, que segundo dizem era superior.

Não foi dos jogos que mais tempo lá passei, mas era um dos favoritos da minha mãe. Ela passou muito tempo na consola anos mais tarde quando eu já não a usava tanto e o Tetris era um dos predilectos dela. Uma das recordações que tenho da minha estupidez infantil era o facto de permitir escolher a música no menu e eu dizia “Até dá para fazer musica!!”.

Infância estragada?

Jogando-o agora… não! Tetris é intemporal, sempre actual e esta versão envelheceu bem, como só Tetris consegue. É uma versão extremamente básica sem as novas funcionalidades das versões mais recentes, mas é esta a essência do jogo. Joguei-o hoje em dia sem quaisquer problemas.

Veredicto: Mantêm-se actual.

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Contra [1987]

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Nostalgia Overload!

Contra é provavelmente um dos jogos que mais sucesso fez durante esta época e um dos que melhores recordações trás. Foi um dos jogos que mais joguei em canalha e dos poucos que consegui chegar ao fim! Mas calma, como já referi a minha consola trazia embutida centenas de jogos repetidos com cheats activadas. E terminei Contra com vidas infinitas 😀 É que Contra tem a fama de ser um dos jogos mais difíceis e a minha versão de criança preferiu fazer batota.

Mas esse facto significa que guardo maiores recordações de níveis que de outra forma nunca me teriam marcado tanto, como o Snow Field, Hangar, Energy Zone, o derradeiro com os aliens e o coração gigante e por ai fora. Algumas detalhes nunca saíram da minha memoria, ainda me lembro dos power up’s, “S” era a melhor arma, o “F” era a pior, o “L” era tipo um lança-chamas o “M” tornava os tiros vermelhos e rápidos, o “R” nunca soube o que fazia lol. Havia co-op mas cá em casa ninguém caiu na tentação do Contra e só eu é que jogava. Acho que é responsável por um dos melhores momentos que passei com a Family Game, que foi o final com a ilha a explodir e o herói a fugir de helicóptero, o desfecho perfeito para um miúdo fã dos filmes de acção dos anos 80.

Infância Estragada?

Não! Continua divertido, frenético, desafiante e com óptimos controlos. Mas jogando-o agora não me parece tão difícil como antes, logo na primeira tentativa cheguei ao 5º nível, ainda por cima tem continues por isso acho que eventualmente chegaria ao fim. É engraçado que mesmo não o jogando há coisa de 20 anos o meu cérebro e corpo como que por magia entram num modo automático, como se nunca tivesse parado de jogar. Lembro-me dos níveis de cor, de onde vai aparecer o próximo inimigo e por ai fora. Muito curioso.

Veredicto: O género em si hoje em dia é bastante nicho, mas se fosse lançado com mais funcionalidades não iria destoar.

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Northern – Hokuto No Ken [1986]

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Nostalgia overload!

Nem imaginam o trabalho que foi relembrar-me do titulo e voltar a encontrar este jogo. Tinha recordações de como o jogo era mas por alguma razão não me lembrava do nome (cá em casa era conhecido como “o jogo da porrada”) mas depois de muita pesquisa lá o encontrei: Northern – Hokuto No Ken. Parece que é um jogo com alguma raridade, pelo menos segundo o que li nunca foi lançado no ocidente. E que recordações tenho? Não muitas, nunca foi dos meus jogos favoritos da altura, se bem que me lembro de matar um dos bosses (o final?) que basicamente era uma amalgama de pixeis (erro do cartucho ou era mesmo assim?). Basicamente, Northern – Hokuto No Ken é um side scroller de porrada onde um tipo de azul mata tudo e todos, lembro-me que a certo ponto ganhávamos um power up em que ele punha-se de tronco nu e ficava badass 😀

Infância estragada?

Foi um castigo encontrar uma versão jogável online. Quando finalmente o encontrei foi um êxtase nostálgico relembrar nem tanto os visuais, mas mais os sons que tinham ficado gravados na minha memória! Mas e o jogo em si? Pois, envelheceu bastante e para ser sincero não perdi muito tempo por lá. Já não me recordo como se apanhavam power up’s e como tal o combate é bastante simplista de inicio. Mas o personagem até tem reflexos rápidos o que ajuda a que não seja muito frustrante.

Veredicto: Está ultrapassado, no entanto os controlos mantêm-se decentes.

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Battle City [1985]

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Nostalgia overload!

Este é dos que mais e melhores recordações tenho, nem tanto por mim que não era dos que mais jogava, mas por causa dos meus pais, em especial da minha mãe. Ela era completamente viciada por Battle City e jogava bem! Ia muito longe e sabia os níveis de cor e as melhores estratégias. Mais tarde o meu pai também se rendeu e não se safava nada mal. Eu não era tão bom, mas desenrascar-me e ainda me lembro de muitos níveis de cabeça. Lembro-me também que tinha um editor de níveis e co-op! Basicamente a ideia era destruir todos os tanques inimigos e impedir que eles destruíssem a nossa base, representada por uma águia. No entanto o terreno dificultava as coisas com paredes, vegetação, água e gelo. Era um bom jogo.

Infância estragada?

Jogando-o agora direi que não. Os controlos continuam bons e intuitivos, mas o que melhor aguentou o teste do tempo é a sua premissa extremamente básica que se mantém muito simples e objectiva. Como os gráficos também são extremamente simples e mais abstractos que realistas, conseguiu também manter-se fresco quase 30 anos depois.

Veredicto: Mantêm-se actual em termos de mecânicas, safava-se nos dias de hoje com novas roupagens.

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Super Mario Bros. [1985]

mario

Nostalgia overload!

Se o Tetris dispensa apresentações o que dizer de Mario? Super Mario Bros. foi muito possivelmente o que mais joguei e mais tempo passei de todos estes. Acabei-o várias vezes sem batotas (e sem usar as warp zones) e digo mesmo, com toda a modéstia, que era bastante bom jogador, tipo, passava-o todo sempre a correr com reflexos do caraças, algo que hoje em dia me falta. Ainda está bem gravado na minha memória, de tal forma que até consigo descrever a maioria dos níveis. Era também o favorito do meu pai que passou muitas horas à volta disto, mas se bem me recordo eu era bem melhor 😀 Termos inventados por nós como, nuvem cagona (Lakitu Cloud), os sapos, peixes voadores, batatas (koopa troopers), era nuclear (o pé de feijão parecia uma hera, como havia um documentário que dava no Agora Escolha chamado Era Nuclear, por alguma razão dei-lhe esse nome) e claro o “Dragão” (Bowser).

Infância Estragada?

Claro que não! Jogando-o hoje, foi como se nada tivesse mudado (para além dos reflexos claro) senti-me como peixe na água e o meu corpo adaptou-se instantaneamente. Não é de estranhar que hoje em dia a Nintendo continue a lançar novos jogos idênticos mas com novas roupagens, é porque na sua raiz Mario funciona. Os controlos são realmente fantásticos e melhores do que tudo o que havia na altura, o nível de precisão e intensidade que podemos colocar é incrível.

Veredicto: Mantêm-se fresco e actual, basta ver as novas versões da Nintendo e o boom do género dentro do mundo indie.

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Nuts & Milk [1983]

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Nostalgia overload!

Este tem uma pequena história pessoal muito curiosa, digamos que foi o meu primeiro guilty pleasure. Quando o jogarem verão que o seu estilo não é propriamente o mais másculo que encontrarão. Na altura chamava-o de “jogo de miúdas” e gozava, no entanto algum tempo mais tarde não o largava e foi dos que mais joguei. A sua base é bastante reminiscente do Donkey Kong, mas Nuts & Milk é obviamente mais complexo. Este também tinha um editor de níveis (na altura havia muito mais jogos com esta funcionalidade) e visualmente tinha muito charme, mesmo hoje em dia continua a ter muita personalidade. De resto algumas das maiores recordações que tenho são os malditos trampolins que eram um martírio para funcionarem. 😀

Infância Estragada?

Foi porreiro recorda-lo, no entanto não é o estilo de jogo que hoje em dia goste muito (faz lembrar puzzle games como o atroz Toki Tori e o agradável Offspring Fling!). Mas é inegavel que o seu charme continua muito marcado e o seu estilo visual envelheceu bastante bem, especialmente por causa da sua natureza mais abstracta como no Battle City. E sim os trampolins continuam uma valente pain in the ass.

Veredicto: Acho que envelheceu bem, de tal forma que se fosse lançado hoje em dia dentro da cena indie não ia destoar muito.

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Acaba aqui a primeira parte deste artigo, para a semana falarei dos outros seis jogos que vinham embutidos com a minha consola, alguns deles estão entre os que mais joguei na altura. Estes jogos também fizeram parte da vossa infância? Quais acham que passaram o teste do tempo de forma mais graciosa? Partilhem as vossas experiências! Não se esqueçam de passar por cá na próxima semana para a parte 2.

Comments
5 Responses to “Conta-me como jogavas – Parte 1”
  1. Ecchin diz:

    À conta deste post já fui instalar um emulador no Android para jogar Nuts & MIlk 🙂

  2. V diz:

    BATTLE CITY! Jogo no metro all the time

  3. Álvaro diz:

    Bom artigo e que venham mais.
    O Tetris, o Contra e o Battle City eram uma delícia quando os jogava. Já agora presentei-te com isto: http://i45.tinypic.com/o6mkrb.jpg
    Tirei a foto à minha velha colecção.

  4. Como sabes a Master System sempre foi mais a minha onda mas conheço quem tivesse passado muito tempo com as Family Games 🙂 O artigo está excelente, agora só me falta é acabar o Contra também.

    Um dia destes ainda faço um especial sobre a Master System também 😛

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