O que aprendi com a nova vaga francesa?

Se estão a ler isto, muito provavelmente estão a par do que se passou por aqui durante o mês de Maio. Ou então estão  ler isto em 2030 e vieram parar aqui por acaso. Se é esse o caso, ficam informados que em Maio de 2020, durante a crise do COVID-19, decidi fazer uma maratona … Continuar a ler

Le Samouraï – O Ofício de Matar [1967]

O melhor: A forma como Alain Delon consegue transmitir tanta presença por detrás duma fachada quase robótica e praticamente sem diálogos. Embora Le Samouraï seja mais um dos exemplos da nova vaga francesa (Le Samouraï ainda se pode caracterizar de tal?) que demonstra o fascínio por géneros tipicamente americanos, ou popularizado por Hollywood, neste caso … Continuar a ler

Pierrot Le Fou – Pedro, o Louco [1965]

O melhor: Jean-Paul Belmondo e Anna Karina têm uma óptima dinâmica e mostram porque são os ícones que são, atirando-se de cabeça e dando o máximo em todas as cenas, por mais ridículas e patetas que sejam, e há muitas. Todo o filme é tão surrealista, estranho e todas as personagens comportam-se duma forma tão … Continuar a ler

Les Parapluies de Cherbourg – Os Chapéus de Chuva de Cherburgo [1964]

O melhor: O irresistível charme, o lindíssimo aspecto visual carregado de cor e a forma como o mesmo vai mudando a cada capitulo espelhando o estado de espírito dos protagonistas. Mas o melhor foi mesmo o gradual processo de descoberta que fui tendo ao longo do filme. Inicialmente achei curioso todos os paralelismos com o … Continuar a ler

Bande à Part – Bando à Parte [1964]

O melhor: Os três protagonistas são demais! Adorei a dinâmica entre eles e a forma como a sua imaturidade e infantilidade rompe tão facilmente por entre a falsa fachada de seriedade que eles tentam construir, como se fossem crianças a brincar aos adultos. A realização do Godard é extremamente fresca, cool e criativa, e oferece … Continuar a ler

Le Mepris – O Desprezo [1963]

O melhor: Gosto muito do visual a preto e branco, mas mentiria se não dissesse que o salto para cor (o primeiro filme desta maratona, se excluirmos a cena inicial de Cleo de 5 a 7) é impressionante e uma mais valia, especialmente com as paisagens de cortar a respiração em Capri e os jogos … Continuar a ler

Vivre sa vie – Viver a Sua Vida [1962]

O melhor: A extraordinária presença e carisma de Anna Karina que brilha e enche todas as cenas. A composição da narrativa em 12 mini histórias de 10 minutos funciona muito bem, e ajuda a sua história a fluir duma forma muito mais natural do que se tivesse que o fazer linearmente. E a história em … Continuar a ler

Jules et Jim – Jules e Jim [1962]

O melhor: A realização é muito móvel, solta, criativa e fluída. Não sei se Truffaut tinha aqui um bom orçamento, mas pelo menos assim parece, porque o filme está carregado de cenas bem arrojadas, temos crane shots, temos imagens aéreas, tracking shots, câmeras portáteis em bicicletas e por aí fora. O trio de protagonistas são … Continuar a ler

Adieu Philippine [1962]

O melhor: A janela para a França dos anos 60, nem tanto Paris, mas sim a lindíssima Córsega e todo o ambiente de despreocupação das férias de verão. Depois de Cleo de 5 à 7, a guerra da Argélia, que muito influenciou o zeitgeist francês da altura, volta a ser uma das temáticas abordadas, e … Continuar a ler

Cleo de 5 a 7 – Duas Horas na Vida de Uma Mulher [1962]

O melhor: A realização da Agnés Vardas é muito criativa e despretensiosa. Sempre fui muito fã de filmes em tempo real e aqui funciona especialmente bem, porque até o vemos dividido em capítulos, indicando precisamente o período de tempo que irá passar. Ok, não se traduz exactamente em 1:1, mas quase, o que acaba por … Continuar a ler

Paris nous appartient [1961]

O melhor: Não sei bem do que estava à espera quando o escolhi, mas uma coisa é certa, não esperava um filme de mistério e investigação reminiscente dum Polanski dos tempos antigos. E ainda bem, porque a história é muito intrigante e envolvente, deixando sempre uma cativante migalha ao espectador para, tal como a protagonista, … Continuar a ler

Lola [1961]

O melhor: Anouk Aimee, numa clara homenagem a Marlene Dietrich em O Anjo Azul, é muito natural, carismática e fácil de se gostar. A estrutura da história, com as 3 diferentes linhas narrativas a cruzarem-se entre elas, está muito bem montada e dá ao filme um cativante ponto de interesse. A atmosfera da cidade costeira … Continuar a ler

L’Année dernière à Marienbad – O Último Ano em Marienbad [1961]

O melhor: Tem que ser a cinematografia, não é? Estaria a mentir de outra forma. Aliás, digo mais até, este é provavelmente o filme com fotografia a preto e branco mais bonito e com mais estilo que alguma vez vi. Há muito para gostar, desde a sua simetria e minimalismo, o ambiente etéreo de sonho, … Continuar a ler

Tirez sur le Pianiste – Disparem Sobre o Pianista [1960]

O melhor: Charles Aznavour segura o filme com a sua prestação cheia de segurança, contenção e contemplação . Os elementos cómicos não deveriam funcionar, mas a verdade é que acabam por ser alguns dos melhores momentos do filme, em especial os dois gangsters que são ridículos e divertidos, e as brincadeiras visuais que o Truffaut … Continuar a ler

A bout de souffle – O Acossado [1960]

O melhor: A sua rebeldia, coolness, modernidade e a fascinante e hipnótica admiração pelo trivial. A sua edição e os jump cuts são, claro, muito conhecidos e de facto tornam a experiência muito refrescante na forma como corta toda e qualquer palha e gordura na acção, pedindo ao espectador que seja cúmplice e faça as … Continuar a ler

Les Quatre Cents Coups – Os Quatrocentos Golpes [1959]

O melhor: O realismo nu e cru, praticamente documental, que consegue contar uma história rica centrada na vida e injustiças da pré-adolescência e o conflito entre a rebeldia e o autoritarismo, apenas com cenas realistas do dia a dia. A Paris dos aos 50 é mágica, mas não é a Paris luminosa e “glamourosa” da … Continuar a ler

Hiroshima mon amour – Hiroshima, Meu Amor [1959]

O melhor: O lindíssimo argumento, extremamente bem escrito e que toca de forma fascinante, melancólica e poética no papel das memórias e do passado. Foi sem surpresas que nas minhas pesquisas pós visionamento descobri que foi escrito pela Marguerite Duras e ganhou prémios, foi inclusive nomeada para o Oscar de melhor argumento original. Os dois … Continuar a ler

Les Cousins – Os Primos [1959]

O melhor: A elegância clássica da imagem, desde a fotografia até aos cenários. Por falar em cenários, pode parecer estranho mencionar isto, mas gostei muito da casa do Paul, não da decoração, mas da forma como o filme usa o seu espaço e arquitectura. Acho que consigo fazer uma planta de todas as divisões e … Continuar a ler

Maratona La Nouvelle Vague

Se bem se recordam a Maratona Sci-Fi teve a ultima edição em 2018 e na altura prometi que iria abrir esse espaço para outro tipo de maratonas, como por exemplo focadas em realizadores, como já o fiz anteriormente com o Kubrick, Tarkovski e Lynch. Claro que caguei nisso e não fiz nada no ano passado … Continuar a ler

Top 10 Filmes Terror #5 Século XXI

Chegamos ao final destes top’s e também ao final da Maratona Terror 2019! Estas décadas foram, a par das de 60 e 70, as mais dificeis de escolher. Vivemos numa época dourada de terror e isso reflecte-se no numero de filmaços que tive de deixar de fora. It Comes at Night, The Babadook, Midsommar, Green … Continuar a ler

It Chapter Two – It: Capitulo 2 [2019]

Vou-vos ser sincero, vi-o na estreia, há já coisa dum mês, portanto há muita coisa que já nem me lembro, uma triste realidade que acaba ser o reflexo de que não gostei do que vi e que já o apaguei, nem que seja involuntariamente, da minha memória. Não desgostei da primeira parte, o elenco de … Continuar a ler

Midsommar – O Ritual [2019]

Caminhamos a passos largos para o final desta Maratona Terror com o novo filme de Ari Aster que nos trouxe no ano passado o fantástico Hereditary. Vi-o na passada edição do MotelX portanto já tive um mesito para o digerir e devo dizer que acabou por estar ao nível das minhas elevadas expectativas. Escolhi propositadamente … Continuar a ler

Revenge – Vendeta [2017]

Muito honestamente não sou muito conhecedor do sub-género normalmente chamado de rape revenge, vi em tempos alguns dos clássicos como o Last House on the Left mas pouco mais. Não é por evitar ou por achar um género inferior (longe disso, gosto de exploitation) mas simplesmente sempre me passou um pouco ao lado. Conheço, no … Continuar a ler

Ghost Stories – Noites de Terror [2017]

Não confundir com o A Ghost Story que está aqui na minha lista de filmes para ver. O britânico Ghost Stories é uma adaptação duma peça de teatro com o mesmo nome e interpretado por muitos dos mesmo actores, o que é positivo porque ninguém conhecerá melhor as personagens do que eles. Ghost Stories é … Continuar a ler

A Girl Walks Alone at Night – Uma Rapariga Regressa de Noite Sozinha a Casa [2014]

Uma maratona terror do Pixelhunt não poderia existir sem um filme moderno todo artsy e pipi, portanto aqui está este A Girl Walks Alone at Night. Escolhi-o essencialmente porque admiro bastante a cultura e história persa que, mesmo estando sobre o jugo da teocracia islâmica actual, é muito rica, original e interessante. É verdade que … Continuar a ler